Sérgio Takemoto: “Empregados da Caixa estão fazendo um trabalho heroico”

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Escrito por: Renata Vilela (Reconta Aí)

Recém-empossado como presidente da Fenae, Sérgio Takemoto fala dos desafios que os empregados da Caixa estão enfrentando durante a pandemia de Covid-19.

Sérgio Takemoto é bancário e empregado da Caixa há muitos anos. Conhece o movimento sindical e as necessidades de trabalhadores e aposentados da categoria como poucos. Porém, chegou à presidência da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) em um dos momentos mais delicados da história do Brasil.

Praticando o distanciamento social, mas trabalhando incessantemente, Sérgio Takemoto falou com o Reconta Aí sobre os desafios que o pessoal da Caixa vêm enfrentando durante a pandemia. E claro, sobre a luta da Fenae junto ao Comando Nacional dos Bancários para resguardar os trabalhadores durante a pandemia.

A Caixa lida com a desigualdade social de todo o Brasil

“Estamos passando por um momento muito difícil e não é só por causa da pandemia. Quase metade da população brasileira se cadastrou para ganhar um auxílio de R$ 600”, inicia Sérgio Takemoto quando perguntando sobre os principais desafios desses tempos.

Segundo ele, a desigualdade social imensa que o País vive desemboca nas filas gigantescas que se formam nas portas das agências da Caixa. As consequências são as agressões aos empregados e as reclamações contra o Banco Público, que é o único a pagar o auxílio emergencial nesse momento.

Mesmo com a luta dos empregados e as vitórias já obtidas – como relembra Takemoto, “a Caixa foi o primeiro banco a adotar EPI e isso foi fruto das negociações da Comissão Executiva de Empresa, na qual Dionísio Siqueira, que compõe a diretoria da Fenae está” – ainda falta muito para atender aos direitos dos empregados e à população.

O Brasil cabe na Caixa, mas não inteiro e de uma só vez

Ao ser perguntado sobre as principais reivindicações dos empregados da Caixa hoje, Takemoto respondeu, sem pestanejar: “A descentralização dos pagamentos e uma comunicação mais efetiva para orientar a população.”

De acordo com o que apurou em todas as instâncias dos empregados da Caixa, grande parte da população corre ao Banco Público para tirar dúvidas e não para se socorrer de um serviço prestado. Isso infla as filas, provoca aglomerações e não resolve o problema da população, que está abandonada pelo governo, e por isso recorre à Caixa.

Sérgio Takemoto é parte do “pessoal da Caixa”

Para falar dos trabalhadores da ativa, dos aposentados e de todos que usam os associados das Apcefs, Takemoto costuma usar a expressão “pessoal da Caixa”. E o pessoal da Caixa está passando por dificuldades.

A Fenae tem trabalhado para ajudar o pessoal da Caixa inclusive com as questões financeiras, segundo ele. “Estamos trabalhando com a Funcef para alongar o prazo de empréstimos, assim como o prolongamento do prazo do equacionamento. Tudo isso para minimizar as dificuldades financeiras”, afirma.

A diretoria não ajuda, o governo atrapalha

Ao ser perguntado sobre a diretoria da Caixa, Sérgio prefere começar falando de quem está na linha de frente. “Com certeza os empregados da Caixa estão fazendo o trabalho heroico”. E por saber disso, Sérgio afirma que a direção da Caixa não tem contribuído como poderia e o governo tem colaborado e muito para a piora das circunstâncias.

“Por exemplo, a situação de adiantamento da segunda parcela que o governo anunciou e depois desistiu”, relembrou Takemoto ao falar sobre a grave crise de falta de informação. Segundo o novo presidente da Fenae, se as informações fossem claras e disponibilizadas com mais eficiência, os problemas que os empregados da Caixa enfrentam hoje seriam menores.

Com anuência do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, concentrou-se todo pagamento do auxílio emergencial na instituição. Takemoto acredita que havia previsão de que isso faria com que filas e aglomerações existissem, porém, nada foi pensado para evitá-las.

“Os empregados estão se desdobrando para atender a população como merece, reforçando o papel principal do Banco, que é ser uma empresa pública” diz Sérgio.

E ainda diz: “O Pedro Guimarães continua fazendo muito marketing. Vai às agências, atende uma pessoa e vai embora. Mas ele mesmo tem reconhecido que já sabia que a Caixa não conseguiria fazer o atendimento de toda essa população”. E ainda questiona: “Então por que colocar a credibilidade do Banco Público e a segurança dos funcionários em risco?”

A segunda pauta prioritária dos empregados, a descentralização começou a ser implementada. Por ora, a descentralização contará apenas com o apoio do Banco do Brasil, e sem grandes informações de como se dará.

Sérgio Takemoto faz a lista do que é necessário

A lista do que é necessário para lidar com a crise agora não é extensa, mas é urgente. Sérgio afirma que isso aconteceu por um motivo importante. “O governo subestimou o número de inscritos, é um governo que não conhece a realidade desse País, portanto não se prepara”, afirmou.

“Precisamos da contratação de pessoas para organização de filas. A Caixa aceitou e está em processo de contratação de cerca de 3 mil seguranças”, confirma Sérgio.

Porém, com o altíssimo volume de demanda pelo auxílio emergencial, não há como apenas a Caixa dar conta de todos. “Nos últimos anos, os planos de demissão voluntária tiraram cerca de 20 mil empregados da Caixa. E não houve reposição”. Assim, mesmo com todos os empregados trabalhando, não haveria possibilidade de atender à 90 milhões de pessoas, conclui.

 

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