A Caixa está em luto: não é fatalidade

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A família Caixa está em luto. Perdemos o 13º colega da ativa para a Covid-19. A tristeza só é superada pela indignação com o sentimento de que se tratava de uma morte que poderia ser evitada se houvesse, por parte da ex-corregedora Girlana Granja Peixoto, que ocupa no momento a vice-presidência de Pessoas do banco público, e do ex-executivo do banco BTG Pedro Guimarães, representante maior do governo Bolsonaro na Caixa, mais cuidado e responsabilidade com a vida das pessoas.

O que houve não pode ser chamado de fatalidade e, sim, de tragédia. Fatalidades não têm como serem evitadas. Esta tragédia seria evitável se estes administradores da empresa, em conjunto com os demais que ocupam os postos de vice-presidentes, tivessem o bom senso de manter as medidas de prevenção aos empregados que estavam vigentes desde o início da pandemia.

A revolta aumenta quando lembramos que não há qualquer justificativa para as decisões dos dirigentes da Caixa de, no momento em que o número de mortes e de contágios pela Covid-19 atingiu seu patamar mais elevado desde o início da pandemia, determinar o retorno ao trabalho presencial de um número cada vez maior de empregados, inclusive daqueles que podem desempenhar suas tarefas remotamente sem que a empresa sofra qualquer prejuízo.

De acordo com as informações disponíveis nas redes sociais, as três filhas do empregado de Brasília que faleceu nesta quarta-feira (5/8) trabalham na Caixa. Uma delas, que trabalha na matriz, teria solicitado permanecer em home office quando convocada para retornar ao trabalho, já que os pais eram do grupo de risco, mas o pedido teria sido negado. Todos foram contaminados. A esposa faleceu um dia após o empregado.

A postura dos vice-presidentes, de não formalizar a ordem para o retorno ao trabalho presencial, demonstra que eles têm ciência do quão grave é esta decisão, e optaram por tentar transferir a responsabilidade pela convocação dos empregados aos seus subordinados. Tal atitude chega a ser nauseante.

Confrontados pelas entidades que representam os empregados, que indagam oficialmente sobre tais convocações e alertam para os riscos que tal medida carrega para os empregados, os vice-presidentes e presidente esquivaram-se de fornecer respostas concretas.

O atual grupo que dirige a Caixa, capitaneado por Pedro Guimarães, certamente passará para a história da empresa. Os motivos, porém, não serão dignos de honra.

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