Ditadura nunca mais é o grito de alerta que ecoa em todo o Brasil nesta quarta-feira (31), justamente no dia em que o golpe contra a democracia e os direitos dos trabalhadores implantou a ditadura militar, com consequências desastrosas para toda a sociedade brasileira. O período entre 1964 e 1985, quando os militares governaram o país, é notabilizado por tortura, censura, perseguições, prisões, mortes e muitas ações antidemocráticas contra opositores ao regime então vigente.

Ao completar 57 anos em 2021, a data de 31 de março de 1964 é para o Brasil lamentar, jamais esquecer, de modo a que se faça justiça e nunca se repita. No momento em que o presidente Jair Bolsonaro planeja partir para uma aventura autoritária, cercando-se de militares mais coniventes com seus desatinos, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) manifesta-se publicamente em defesa dos direitos sociais, da democracia e do banco 100% público.

Assim, é dever democrático de todo o cidadão brasileiro ocupar as redes sociais em defesa do Estado Democrático de Direito e contra a ditadura militar, posição que é fortemente reafirmada pela Fenae. A luta contra o retrocesso, seja de que tipo for, é histórica entre os bancários do país. A categoria sempre esteve na linha de frente da resistência contra o regime de exceção de 1964, tendo hoje consciência ser fundamental não perder o passado de vista para saber o caminho a ser seguido. E segue firme na mobilização em defesa da democracia, contra a violência, o desmonte das políticas públicas e o retrocesso que vem sendo imposto pelo governo autoritário de Bolsonaro, que insiste em enaltecer as arbitrariedades e os horrores praticados no período militar.

No Brasil, um exemplo de ruptura democrática mais recente foi o afastamento da então presidenta Dilma Rousseff pelo golpe de abril de 2016. Esse processo representou um novo ciclo de ataques à soberania, à democracia e aos direitos dos trabalhadores. O bê-á-bá de um projeto com desenvolvimento e inclusão social passa pelo princípio de que, para consertar este país, o trabalhador e o povo precisam estar inseridos na economia. “A questão fundamental é essa: para que um novo ciclo de crescimento seja retomado, com o propósito de reafirmar a defesa das instituições democráticas que estão sendo duramente atacadas, a classe trabalhadora e suas entidades representativas devem fazer a resistência em todo país”, declara Sergio Takemoto, presidente da Fenae.

Takemoto diz que a Fenae está na luta para ampliar os direitos sociais abrigados na Constituição de 1988, combatendo assim a lógica privatista, com a qual o neoliberalismo agride a democracia. “É por isso que, ao lado de entidades dos movimentos sindicais e populares, juventude e partidos políticos progressistas, o movimento nacional dos empregados da Caixa defende os direitos dos trabalhadores e a democracia, contra a ofensiva da extrema direita e por saídas populares para a crise”, reitera.  O vice-presidente da Federação, Marcos Saraiva, lembra que o histórico de fundação da entidade, na data de 29 de maio de 1971, vincula-se a esse período com registro de luta e resistência contra a ditadura militar. “É princípio da Diretoria da Fenae ser contra a ditadura e contra a tortura”, pondera.

Para Jair Pedro Ferreira, diretor de Formação da Fenae, o maior desafio hoje, para evitar golpes dentro do Estado de Direito, é promover e introduzir a democracia em todos os poros da sociedade brasileira. E observa: “O país não precisa de menos governo e nem de menos Estado, mas quer a ruptura com a lógica neoliberal privatista, da austeridade fiscal e da ditadura do capital, partilha equitativa do trabalho e da riqueza, democratização de todas as instâncias da vida pública, defesa dos direitos sociais e do serviço público”, pontua.

Portanto, para a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa, não dá para permitir que o retrocesso institucional prevaleça, com a desastrosa interrupção do processo democrático do país. E avalia também que não dá para aceitar nenhum direito a menos. O grito que ecoa nos quatro cantos do Brasil é o da defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e o da defesa da Caixa pública, social e cada vez mais fortalecida. E a Fenae manifesta ainda total repúdio ao golpe perpetrado pela ditadura militar de 1964.

 

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