Retirada de direitos pode resultar em greve dos empregados da Caixa

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edifício-sede da Caixa Econômica Federal

Desde abril os empregados da Caixa estão na linha de frente do pagamento do auxílio emergencial, dos saques do FGTS e de outros benefícios, contemplando metade da população brasileira. Mesmo com todo empenho, que colocou em risco a saúde dos empregados, familiares e população atendida, o governo federal quer acabar com os direitos da categoria. Em reação a esse ataque, os trabalhadores do banco público podem deliberar na próxima semana greve por tempo indeterminado.

“A responsabilidade da greve dos empregados da Caixa e dos demais bancários é do governo Bolsonaro e dos bancos, que estão alinhados para rebaixar os nossos direitos. Nunca iniciamos uma campanha salarial com uma proposta tão rebaixada. Somente nossa organização e luta vai barrar os retrocessos que estão querendo nos impor. Não vamos aceitar nenhum direito a menos. Por isso, é fundamental o engajamento da categoria, acompanhando as informações divulgadas pelas entidades e participando das assembleias virtuais que vão ocorrer”, diz o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.

Segundo o dirigente, na Caixa um dos principais ataques hoje é a tentativa de inviabilizar o plano de saúde dos empregados. A direção do banco está propondo alterações no modelo de custeio do Saúde Caixa que encarecem o custo para todos os seus usuários. “Em um momento que todos estamos preocupados com a assistência à saúde, o banco quer restringir o acesso a esse direito básico, sob a falsa alegação de que a intenção é manter a sustentabilidade do plano de saúde”, argumenta o presidente da Fenae.

Negociações

A categoria bancária está em negociação, visando a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), desde o início de agosto. As propostas apresentadas pelos bancos até agora implicam em retirada de conquistas históricas dos bancários. Os bancos propuseram reajuste zero, impondo uma perda de 2,65% nos salários; redução em até 48% a PLR; retirada da 13ª cesta alimentação; reduzir de 55% para 50% a gratificação de função e mexer nos direitos dos bancários que sofreram acidente de trabalho.

“É completamente inaceitável essa proposta. Quase 70% das categorias esse ano fecharam acordos que tiveram aumento real ou reposição da inflação. Estamos falando do setor que mais lucra no país e que não quer dar aumento, além de não garantir os empregos”, critica a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Conforme cálculos do Dieese, com as propostas apresentadas pela Federação dos Bancos (Fenaban) o salário médio do bancário teria uma perda anual de R$ 13.282,57, considerando as reduções da gratificação por função e da PLR, e retirada da 13ª cesta.

Os bancários rejeitaram a proposta da Fenaban e nova negociação está marcada para este sábado (22), às 11h. A possibilidade de uma greve da categoria não está descartada, caso os bancos insistam na retirada de direitos e no reajuste salarial zero. Assembleias estão agendadas para terça-feira (25).

“Nossa expectativa é receber uma boa proposta, não como nos últimos dias. Os bancários não vão fechar acordo com retirada de direitos”, afirmou a presidenta da Contraf/CUT.

Lucro

Em 2019, o lucro dos cinco maiores bancos do país somou R$ 108 bilhões, com alta de 30,3% em doze meses. E mesmo em plena crise econômica, os bancos seguem lucrando alto. No primeiro semestre deste ano, o lucro dos quatro maiores – Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – chegou a R$ 28,5 bilhões.

A Caixa ainda não divulgou o balanço do primeiro semestre de 2020, mas em 2019 o lucro do banco foi de R$ 21,057 bilhões, representando aumento em relação a 2018 de 103,4%. “É essa empresa rentável, que tem importante papel para economia e desenvolvimento social do País que o Pedro Guimarães, o ministro Paulo Guedes e o presidente Bolsonaro querem privatizar a todo custo”, alerta Sergio Takemoto.

Abertura aos sábados

Neste sábado (22), parte dos empregados da Caixa estará novamente atendendo beneficiários do auxílio emergencial de R$ 600,00 e do saque emergencial do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS).  O banco a abertura de 770 agências em todo o País.

As pessoas nascidas de janeiro a junho poderão realizar o saque em espécie do auxílio de R$ 600. Já os trabalhadores nascidos em janeiro e março poderão sacar o FGTS emergencial, conforme calendário divulgado pelo banco.

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