Fenae alerta que venda de ações do Banco Pan faz parte da política de fatiamento da Caixa

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Em 2019, o Banco Pan (antigo PanAmericano) teve Lucro Líquido Acumulado de R$ 515,9 milhões, o que representou crescimento de 133% quando comparado a 2018 que foi de R$ 221,5 milhões. Apesar dessa lucratividade, a direção da Caixa concretizou na  quinta-feira (27) a venda de ações que detinha no banco. A operação faz parte do plano da equipe econômica do governo Bolsonaro e do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, de fatiar o banco público e privatizá-lo, segundo avalia a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae).

“Primeiro, o governo editou a MP 995, que permite o desmembramento e venda de áreas lucrativas da Caixa. Depois, o Pedro Guimarães (presidente da Caixa) retoma o processo do IPO (oferta inicial de ações) da Caixa Seguridade, e agora a venda de ações do Banco Pan. Ou seja, são medidas que têm por objetivo enfraquecer a Caixa e abrir espaço de mercado para o setor privado”, alerta o presidente da Fenae, Sergio Takemoto.

Em declarações à imprensa, o presidente da Caixa disse por diversas vezes que a participação do Banco Pan não era estratégica e que a intenção dele e do ministro da Economia Paulo Guedes “é vender tudo o que não é estratégico seja de uma maneira integral, seja parcial”.

Para o presidente da Fenae, a venda de ativos da Caixa e a privatização de estatais é uma forma equivocada de fazer dinheiro a curto prazo. “Isso não traz desenvolvimento econômico e social para o País e o que é muito pior: resulta em perda de patrimônio e da capacidade de empresas como a Caixa investirem no Brasil”, destacou Takemoto.

A Caixa controlava o Banco Pan com o BTG Pactual. A operação rendeu R$ 743 milhões em ações preferenciais que detinha do banco por oferta de distribuição pública secundária. O banco público ainda mantém 49,5% de ações ordinárias do Pan.

Compra

O Banco Pan surgiu em 2011 quando da aquisição das ações do Banco PanAmericano pelo BTG Pactual e subsequente venda à Caixa Econômica Federal. Essa transação resultou no controle compartilhado pelas duas instituições.

O Banco Pan atua nos segmentos de crédito consignado, financiamento a veículos usados, concessão de crédito para empresas de grande e médio portes e cartões de crédito. Em fevereiro de 2020, o Pan lançou seu banco digital com foco nas classes C, D e E.

Em setembro de 2019, o Pan realizou oferta pública primária (IPO) e oferta pública secundária (follow-on) no montante total de R$ 1,04 bilhão. Desses, R$ 522 milhões foram aumento de capital.

Segundo o relatório de resultados do ano passado,  a carteira de crédito  do banco encerrou 2019 com saldo de R$ 23,8 bilhões, com crescimento de 16% frente aos R$ 20,6 bilhões de 2018; a Carteira Core, que corresponde às carteiras de consignado, veículos e cartões de crédito, apresentou crescimento de 20% nos últimos 12 meses. O banco encerrou 2019 com 4,9 milhões de clientes.

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